quarta-feira, 13 de outubro de 2010


Tenho saudade do grito ofuscante e radiante do meu olhar, do riso inabalável, do peito tranquilo e da alma serena que não têm mais morada em mim.
Acho que os vendi a algum passante em troca de um saco de pétalas de vento do cerrado...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pegadas

Perdi minha primavera nalgum canto empoeirado da vida
Em minha face não há mais frescor algum
Apenas as sombras do Outono, estação eterna.
Nem chuva, de verão ou de inverno, atravessa meus dias
Estes são apenas momentos de uma eternidade gelada
Com algumas poucas fagulhas, porém enfermas.
Não há nada aqui que me comova
Que me envolva
Que me devolva pra onde nem sei se vim.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um dia desses...

As nuvens da minha alma são mais poderosas que as do céu
Impedem a passagem dos mais poderosos raios.
Minha luz não mais ilumina, ela queima, alardeia e arde meu pensamento
Até o seu inequívoco fim.
Poderia eu arrancá-las?

Com minhas próprias mãos...
E num ímpeto de fúria desmedidamente insana
As engulo...

...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eu aqui...

Ainda estou aqui.
Ainda sou eu mesma.
Minhas angústias e inquietações  motivam e impulsionam (a mim e minha arte) para seguir a diante
Ainda que nada tenha um sentido definido.

segunda-feira, 22 de março de 2010

QUE COISA É

Não sei que coisa é amor
Bicho, coisa ou pessoa
Não sei.
Sei que é verdade, infinito, ilimitado
Conmo a água do mundo que vai e vem
Faz e refaz.
O meu está aqui: intacto
Como océu cobalto ou turquesa
A nos cobrir de bênçãos sempre.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Por quê?


Queria ser assim algo EXTRAORDINÁRIO!


A MÃE!

A BAILARINA!

A ACROBATA!

A AMANTE!

A CANTORA!

A PERFORMER!

A...

Demais pra mim?

Talvez.

Provavelmente sim.

Ainda assim desejo.

Por que sinto que tenho que escolher só uma dessas coisas?

Por que acredito que só sairá perfeito se eu escolher só uma dessas coisas?

Por que quero tanto a perfeição?

Por quê?

Por quê?

Alguém?

Alguma resposta?

OK...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

pouco do nada

“Só suba no palco se você tiver algo a dizer!”
Me disse o mestre.
Parei.
Pensei.
Repensei.
Teria eu algo a dizer?
Não.
Sou apenas um pouco do nada do mundo...

Mas um vazio revolve meu interior
Estrepa minhas veias
Ensurdece minha mente.
E essa angústia atemporal passeia por toda a extensão do meu corpo e entende que ali é sua morada, seu mais que perfeito lugar.

Não quero deixar pra trás o que é importante pra mim!

EU


Quero viver um amor que liberta e expande

o amante e o amado.

Que escreva versos que os carreguem

para perto um do outro.

Que fortaleça os espíritos para que suportem

a angústia de existir...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

...artista...

Ser artista pressupõe pesquisa, descobertas. De que adianta dizer exatamente igual ao que já se sabe? Há que tirar do (i)cognoscível aspectos novos, novos sentidos, novas conexões, relações...
Por que sou artista?
Porque pela arte posso cuspir absolutamente tudo o que penso, sinto e sou.
Desde a beleza até o horror...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Passeio público

Porque é também através de teus braços que a paz vem me visitar
Bem como a calma que me invade vem do teu olhar.
Teus lúcidos dedos a passear sobre minha pele e minhas mãos que tanto repetes gostar
Trazem calafrios, arrepios, desafios:
De querê-los, de querer-te, de desejar-te cada vez e sempre mais.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

01:39

Não sei dizer como a dor entrou...
Talvez por inspiração, no teu cheiro.
Ou por teu beijo ardente.
Em verdade agora sou sua hospedeira.
Perfeita.
Eleita.
Mais uma para ser sua.
Completamente sua.
Sei que fui eu quem a convidou.
Se a mim faltava alguma coisa, achei?
Procurei-a a todo custo...
Em teu ar
Em tua saliva
Em teu fogo
E encontrei em tua carne.
Viva e fatal.
Se agora peço que se vá
Não sai, pois diz:
Por que me quisestes?
Acaso te pedi pra ficar?
Não conseguirás me expulsar!
Na tentativa de libertação da tua redoma desejada
Tento ignorar
Finjo esquecer
Juro não te amar.
E em meu magnífico fracasso
Corro em busca de um diamante
Que possa tomar lugar no meu peito vazio
Para quando eu arrancar
Com minhas mãos
A dor que é meu próprio coração.
Assim nada mais o atingirá.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

NÃO-AMOR

Que lindo fruto de seres!

Mas minha beleza se foi...

Eu a expulsei, ou pelo menos, tentei.

Por meu martírio

Cansei do brilho e da excitação

Do frio , do calor, das borboletas

E de tudo mais que me lembrar o amor.

A brisa, a chuva, o sol

Não mais me lembrarão teu ser.

Não mais te verei em todas as esquinas

Como quem espera a salvação.

Te terei então como o sangue

Que corre e escorre

Que sempre vai...

Mas ainda assim permanece (porque se refaz)

Intacto.



Assim não haverá mais saudade

Tampouco desejo ou ternura.

Só tua verdade gravada em mim

E por isso vontade de não amar.



Mas ao acordar de um pesadelo (para outro)

Sinto falta e te busco incessantemente.

No lago vermelho ao meu redor

Não tem tua face

Tampouco teu cheiro

E menos ainda tua voz.

De ti só há ausência.

E de mim quase nada do muito que sou

(Quando contigo).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Só eu sei...

Resta um minuto
Antes que a solidão me encontre
E acorrente.
Em breve saberei o que é te perder.
Mas deixa-me sentir
A última respiração
O último beijo
Tua pele e teu sussurro
A última vez.
Guardarei numa gaveta de mim
Que só eu sei.