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quarta-feira, 23 de março de 2011

O dia


Enquanto elas impávidas viajam os céus, aqui dentro jaz um rio cujo leito seco se expande em meus dias e cujo fluxo se perde no árido da minha alma. Não me suporto. Não me conformo. Não me gosto assim, não a mim. Sou um broto que insiste em não amadurecer; permaneço insipiente. A cefaléia só me lembra que sou sã, que meu país guerreia em si mesmo dia após dia, ano após ano. E assim chegará o dia em que, dizimados, meus soldados serão seu adubo e deles nascerão flores de nuvem e de céu que habitaram o espaço infinito que não me coube, mas caberá um dia desses qualquer, depois de hoje e antes de amanhã, no sopro, no sussurro da manhã.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010


Tenho saudade do grito ofuscante e radiante do meu olhar, do riso inabalável, do peito tranquilo e da alma serena que não têm mais morada em mim.
Acho que os vendi a algum passante em troca de um saco de pétalas de vento do cerrado...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eu aqui...

Ainda estou aqui.
Ainda sou eu mesma.
Minhas angústias e inquietações  motivam e impulsionam (a mim e minha arte) para seguir a diante
Ainda que nada tenha um sentido definido.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Por quê?


Queria ser assim algo EXTRAORDINÁRIO!


A MÃE!

A BAILARINA!

A ACROBATA!

A AMANTE!

A CANTORA!

A PERFORMER!

A...

Demais pra mim?

Talvez.

Provavelmente sim.

Ainda assim desejo.

Por que sinto que tenho que escolher só uma dessas coisas?

Por que acredito que só sairá perfeito se eu escolher só uma dessas coisas?

Por que quero tanto a perfeição?

Por quê?

Por quê?

Alguém?

Alguma resposta?

OK...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

...artista...

Ser artista pressupõe pesquisa, descobertas. De que adianta dizer exatamente igual ao que já se sabe? Há que tirar do (i)cognoscível aspectos novos, novos sentidos, novas conexões, relações...
Por que sou artista?
Porque pela arte posso cuspir absolutamente tudo o que penso, sinto e sou.
Desde a beleza até o horror...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre cachinhos e sorrisos

Ela me ama!

Não será pelo sangue?
(ela não sabe)
Não será por todo o leite jorrado?
(ela não lembra)
Não será pelas intermináveis noites não dormidas?
(ela nem sonha!)
Não será por todos os curativos?
(só restaram as cicatrizes)
Não será pelas broncas com e sem motivo aparente?
(ela entenderá)
Não será pelas histórias sem fim inventadas?
(ela sempre dorme)
Não será por toda roupa lavada?
(ela nem liga)
Não será por todo lanchinho preparado?
(ela simplesmente os devora)

Deve ser porque ela sente (não sabe) que poderá sempre contar comigo.
Apesar dos pesares.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

soMENTEso

Há um vazio que nunca cessa.
Não tem endereço certo no universo da minha alma.
Não tem abrigo certo.
Está em todo o meu ser.
No peito estraçalhado
Nos membros inertes
No pensamento distante.
Na fala contida
E também nos pés descalços.
Está no silêncio do meu corpo
Que diz não querer estar aqui.
Nem ali
Ou em qualquer lugar.
Deseja suspender-se do tempo no espaço.
Só.
E só.
Mas ainda assim ele canta (baixinho)
E para si mesmo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Meu corpo

Meu país está doente. Deixou que levassem suas forças. Como pude permitir? Agora suporto as conseqüências desse ato impensado.
Ele arde. Ele queima. Derrete meus pensamentos e ideais. Transforma-os numa liga qualquer. Quando passar – se é que vai passar – moldá-lo-ei à imagem de quê?
Não queria tanta dor, entretanto assumo sua necessidade no tocante à elevação do espírito, ainda que à força. Aí consiste sua importância.
Meu país.
O único lugar no qual eu sou sempre.
Nunca estarei em exílio nem sozinho enquanto nele estiver.
Com (ou sem) dor.
Com (ou sem)alegrias.
Com (ou sem) companhia.
Meu corpo é meu país!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

SoloAmente

Um grão de areia na vastidão do deserto.
Uma estrela há anos luz.
O orvalho de uma manhã qualquer.
Um sol...
A guiar, onipotente e solitário, vidas
Sabendo que virão e irão
(E um dia ele também)
Mas sem saber porque.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

REFLEXÕES SOBRE MEU TEATRO












Minha trajetória no teatro se iniciou aos seis meses de idade quando minha mãe (atriz) e meu pai (músico) me colocaram junto com eles em cena.
Desde sempre a arte faz parte de mim. Meus pais sempre me introduziam neste multicolorido universo. Teoria musical, balé, piano, tambor de crioula, canto, bumba meu boi, violão... Cresci vendo e ouvindo muito. Tudo. Mas também cresci achando que não sabia de fato fazer nada daquilo... Porém sempre experimentando e tentando.
No momento de escolher a profissão pensei em tudo: letras (pela intimidade com o inglês que também aprendi desde cedo), Medicina, Biologia, Educação Física... Na tentativa de conhecer o corpo pensei em várias coisas. Mas sempre terminava por me sentir incapaz de conseguir.
Acabei optando por fazer vestibular para Teatro mesmo, pois a esta altura já trabalhava com Dança e com Circo. Sentia uma espécie de ojeriza ao teatro, que se fundamentava no fato de eu não saber fazer aquilo e ter medo de aprender. Nos semestres letivos acabei dando preferência às cadeiras mais gerais, menos específicas da área, no intuito de escapar de alguma forma deste universo sombrio e incógnito que o teatro significava para mim.
Continuava no curso, apesar do muro de pedra que construíra ao meu redor a fim de me manter distante do meu objeto de tortura. Como se estava nele totalmente inserida? A cada dia em que eu conhecia um pouco mais meu algoz, mais eu me interessava por ele, ainda que fingisse (para mim mesma) hesitar.
Eu via as pessoas fazendo um teatro que eu não gostava de ver e me entediava. Até o dia em que eu vi um teatro que eu não gostei de ver, mas diferente... Ele mexia comigo, revolvia minhas entranhas, me incomodava... Muito. Sentia-me invadida ao assisti-lo, e como não era de invadir a mim mesma, ou seja, não me conhecia porque não buscava a mim, ele me importunava deveras. Eu não gostava, não porque ele me entediava. Eu não gostava porque ele causava revoluções e mim, maiores do que eu podia suportar. Ele me defrontava com um monstro que eu não estava preparada para derrotar: eu mesma.
Então chegou o dia de adentrar no mundo deste fazer. E fiz. Faço. Estou fazendo.
Sigo na busca de mim e da minha forma de fazer teatro. Porque como Grotowski, acredito que: “a arte não é estado da alma ou do homem... é evolução”.




sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FALSO ESPELHO

Acaso pareço o quê?

Não me reconheço em nada do que vejo...

Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...

No avesso do espelho, vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado em si mesmo


As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

FiLhOs...

Que coisa incrível é ter um filho!
Uma revolução a qual não sabemos, às vezes, se iremos sobreviver. Alegrias tão monumentais quanto as dificuldades.
Quando um filho chega, tudo se transforma. O mundo por dentro. O mundo em volta... Os dias cada vez mais curtos e a cabeça cada vez mais ocupada. Mas também o céu mais azul, as flores mais coloridas e a primavera eterna! Com algumas tempestades passageiras, é verdade... Mas com felicidade constante.
Saber-me mãe é saber-me viva, vivente, importante, responsável (apesar das falhas).
Desejo sempre ser tua: mãe, amiga e até filha, se for preciso para que nos tenhamos uma a outra sempre.

MINHA IRA


É da chuva que observas que vem a beleza de ti.
Teus olhos, teu olhar, tua interrogação inteira!
Mínima flor, singela fortaleza do meu amor...
Teu imenso mar de abraços e beijos é bem maior do que posso ver.
Desejo sempre, então, mergulhar em tua ingênua profundeza
Em teu ofuscante cintilar.
E ser absorvida.
E quando acaso queiras planar pretendo te guiar
Até onde meu olhar alcançar para que tenhas ótimos vôos
Menos (ou mais, não sei) rasante que os demais
E sejas muito mais do que quiser ser.

domingo, 8 de novembro de 2009

Só por agora

Viver não faz sentido.

A vida não tem sentido.

É apenas uma sucessão de sonhos e desejos.
Uns se concretizam...
Outros não.

Então seguimos perseguindo a realização
Como girassóis em busca de um sol.

Quero, então, uma SUPER NOVA pra mim!
Pra viver como se não houvesse amanhã
Pra amar como se só restasse esse dia
E assim matar minha rotina

Pois nada do que sou ou do que penso
Dura mais que o segundo seguinte.

Exceto a angústia da pergunta sem sentido
Do sentido sem resposta
E da resposta inexistente.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FALSO ESPELHO

Acaso pareço o quê?

Não me reconheço em nada do que vejo...

Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...

No avesso do espelho vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado
Em si mesmo (o que pior)

As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sou pessoa que quer se calar. Entretanto grito por tudo que posso gritar. Pelos cabelos ao vento. Pelos olhos lavados. Pela boca que beija a si mesma e só. Pelos braços e pernas ao se debaterem em seu frenesi impetuoso e inconstante.

Mas quando tudo isso não basta corro às palavras, que também correm de mim. Principalmente aquelas rebuscadas. Sobra-me o comum, como eu.

Queria profundamente que elas se transformassem em pedaços, partes de mim, que dissessem-se através de minhas células todas.

Porém quando elas se chegam e me invadem não consigo prosseguir.

Entorpeço-me.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Minhas férias...

Parece começo de redação da escola… Rs. É quase isso.

Termina hoje, que pena! Voltar à rotina não é algo tão interessante para um artista quando se deixa para trás dias repletos de arte por todos os poros! Já que o artista vive na eterna possibilidade que a vida tem, voltar para a minha rotina, especificamente, não tem nada de tããããão interessante.

Artista? Hoje me considero. Sem falsa modéstia. Não digo que sou tão boa assim... E há muitos melhores do que eu... Mas sou eu e tenho algo a dizer ao mundo. Muitos “algos”. E enquanto eu sentir e pensar o mundo, serei.

Vivi intensamente este período, repleto de amores verdadeiros (amigos de muuuuuuitas horas...) Sinto-me honrada e feliz por isso! As lembranças ficarão “gravadas em meu corpo feito tatuagem que é pra me dar coragem pra seguir viagem quando a noite vier...”

Obrigada! A tudo e a todos que estiveram presentes em minha caminhada e com quem pude aprender a viver um pouco mais!

E ainda neste sopro de entusiasmo deixo as palavras do Papa João XXIII...