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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

pouco do nada

“Só suba no palco se você tiver algo a dizer!”
Me disse o mestre.
Parei.
Pensei.
Repensei.
Teria eu algo a dizer?
Não.
Sou apenas um pouco do nada do mundo...

Mas um vazio revolve meu interior
Estrepa minhas veias
Ensurdece minha mente.
E essa angústia atemporal passeia por toda a extensão do meu corpo e entende que ali é sua morada, seu mais que perfeito lugar.

Não quero deixar pra trás o que é importante pra mim!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Passeio público

Porque é também através de teus braços que a paz vem me visitar
Bem como a calma que me invade vem do teu olhar.
Teus lúcidos dedos a passear sobre minha pele e minhas mãos que tanto repetes gostar
Trazem calafrios, arrepios, desafios:
De querê-los, de querer-te, de desejar-te cada vez e sempre mais.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

01:39

Não sei dizer como a dor entrou...
Talvez por inspiração, no teu cheiro.
Ou por teu beijo ardente.
Em verdade agora sou sua hospedeira.
Perfeita.
Eleita.
Mais uma para ser sua.
Completamente sua.
Sei que fui eu quem a convidou.
Se a mim faltava alguma coisa, achei?
Procurei-a a todo custo...
Em teu ar
Em tua saliva
Em teu fogo
E encontrei em tua carne.
Viva e fatal.
Se agora peço que se vá
Não sai, pois diz:
Por que me quisestes?
Acaso te pedi pra ficar?
Não conseguirás me expulsar!
Na tentativa de libertação da tua redoma desejada
Tento ignorar
Finjo esquecer
Juro não te amar.
E em meu magnífico fracasso
Corro em busca de um diamante
Que possa tomar lugar no meu peito vazio
Para quando eu arrancar
Com minhas mãos
A dor que é meu próprio coração.
Assim nada mais o atingirá.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Só eu sei...

Resta um minuto
Antes que a solidão me encontre
E acorrente.
Em breve saberei o que é te perder.
Mas deixa-me sentir
A última respiração
O último beijo
Tua pele e teu sussurro
A última vez.
Guardarei numa gaveta de mim
Que só eu sei.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FALSO ESPELHO

Acaso pareço o quê?

Não me reconheço em nada do que vejo...

Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...

No avesso do espelho, vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado em si mesmo


As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ONIPRESENÇA

No olhar que me absorve
Procuro-me
Tdo posso ver
Menos a mim.
Em todo tato de toda pela
A pele inteira faz-me sentir:
Que de carne sou e da carne vim
E na carne viva desejo...
A mim.
Porque não me tenho
Preciso de alguém que o faça bem.
Em todas as horas.
Em qualquer lugar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não existência

Ela dobrou de tamanho em segundos. Diante dele parecia insandecida. Ambos estavam.

Os gritos ensurdecedores nasceram dele pelo álcool e dela pela raiva contida de muitos anos. De repente a culpa é dele mesmo...

Aos sete ela conheceu o que só os adultos fazem. Ele mostrou a ela. Ele e seu irmão. Mas o irmão, diferente dele, se tornou pessoa de bem e expiou seu pecado. Ele permanece no inferno.

Ela não foi violentada. Foi aliciada, seduzida, impelida. Não por força, mas por...astúcia. Argumentos que a excitavam: saber, conhecer o mundo proibido. De repente a culpa é dela mesmo.

Anos a fio e ninguém nunca soube...

Agora, além de tudo, ele continua sem decência. Ela deseja sua eterna ausência. Cansada de aceitar a convivência pacífica, se encheu da força que nunca teve e enfrentou-o quase com as próprias mãos...

Por um tris alguma vida não foi por água abaixo...

Na noite silenciosa ecoavam seus gritos. Dos dois. A cada nova afirmação crescia de um lado o ódio pela falta de respeito do outro e do outro o medo das conseqüências práticas dos atos de um.

Vi o passado ante meus olhos e por um instante pensei que não veria mais futuro algum. Mas ao controlar a raiva e o medo expulsei-o de uma vez. Espero que por todas. Ainda que parte do meu sangue corra nele também, ele não representa mais nada para mim. É coisa sem valor, inútil. Nada.