segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não existência

Ela dobrou de tamanho em segundos. Diante dele parecia insandecida. Ambos estavam.

Os gritos ensurdecedores nasceram dele pelo álcool e dela pela raiva contida de muitos anos. De repente a culpa é dele mesmo...

Aos sete ela conheceu o que só os adultos fazem. Ele mostrou a ela. Ele e seu irmão. Mas o irmão, diferente dele, se tornou pessoa de bem e expiou seu pecado. Ele permanece no inferno.

Ela não foi violentada. Foi aliciada, seduzida, impelida. Não por força, mas por...astúcia. Argumentos que a excitavam: saber, conhecer o mundo proibido. De repente a culpa é dela mesmo.

Anos a fio e ninguém nunca soube...

Agora, além de tudo, ele continua sem decência. Ela deseja sua eterna ausência. Cansada de aceitar a convivência pacífica, se encheu da força que nunca teve e enfrentou-o quase com as próprias mãos...

Por um tris alguma vida não foi por água abaixo...

Na noite silenciosa ecoavam seus gritos. Dos dois. A cada nova afirmação crescia de um lado o ódio pela falta de respeito do outro e do outro o medo das conseqüências práticas dos atos de um.

Vi o passado ante meus olhos e por um instante pensei que não veria mais futuro algum. Mas ao controlar a raiva e o medo expulsei-o de uma vez. Espero que por todas. Ainda que parte do meu sangue corra nele também, ele não representa mais nada para mim. É coisa sem valor, inútil. Nada.

2 comentários:

  1. E, não de repente, mas merecidamente, cautelosamente, dolorosamente, estúpida, doce e ferozmente, essa menina virou uma mulher! E mulher, que por sinal, demora a decidir o que fazer, mas quando o faz... aaaah, faz com a sintonia do querer e poder, e consciente que a vida é um risco! Te amo!

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