quinta-feira, 19 de novembro de 2009

REFLEXÕES SOBRE MEU TEATRO












Minha trajetória no teatro se iniciou aos seis meses de idade quando minha mãe (atriz) e meu pai (músico) me colocaram junto com eles em cena.
Desde sempre a arte faz parte de mim. Meus pais sempre me introduziam neste multicolorido universo. Teoria musical, balé, piano, tambor de crioula, canto, bumba meu boi, violão... Cresci vendo e ouvindo muito. Tudo. Mas também cresci achando que não sabia de fato fazer nada daquilo... Porém sempre experimentando e tentando.
No momento de escolher a profissão pensei em tudo: letras (pela intimidade com o inglês que também aprendi desde cedo), Medicina, Biologia, Educação Física... Na tentativa de conhecer o corpo pensei em várias coisas. Mas sempre terminava por me sentir incapaz de conseguir.
Acabei optando por fazer vestibular para Teatro mesmo, pois a esta altura já trabalhava com Dança e com Circo. Sentia uma espécie de ojeriza ao teatro, que se fundamentava no fato de eu não saber fazer aquilo e ter medo de aprender. Nos semestres letivos acabei dando preferência às cadeiras mais gerais, menos específicas da área, no intuito de escapar de alguma forma deste universo sombrio e incógnito que o teatro significava para mim.
Continuava no curso, apesar do muro de pedra que construíra ao meu redor a fim de me manter distante do meu objeto de tortura. Como se estava nele totalmente inserida? A cada dia em que eu conhecia um pouco mais meu algoz, mais eu me interessava por ele, ainda que fingisse (para mim mesma) hesitar.
Eu via as pessoas fazendo um teatro que eu não gostava de ver e me entediava. Até o dia em que eu vi um teatro que eu não gostei de ver, mas diferente... Ele mexia comigo, revolvia minhas entranhas, me incomodava... Muito. Sentia-me invadida ao assisti-lo, e como não era de invadir a mim mesma, ou seja, não me conhecia porque não buscava a mim, ele me importunava deveras. Eu não gostava, não porque ele me entediava. Eu não gostava porque ele causava revoluções e mim, maiores do que eu podia suportar. Ele me defrontava com um monstro que eu não estava preparada para derrotar: eu mesma.
Então chegou o dia de adentrar no mundo deste fazer. E fiz. Faço. Estou fazendo.
Sigo na busca de mim e da minha forma de fazer teatro. Porque como Grotowski, acredito que: “a arte não é estado da alma ou do homem... é evolução”.




sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FALSO ESPELHO

Acaso pareço o quê?

Não me reconheço em nada do que vejo...

Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...

No avesso do espelho, vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado em si mesmo


As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

FiLhOs...

Que coisa incrível é ter um filho!
Uma revolução a qual não sabemos, às vezes, se iremos sobreviver. Alegrias tão monumentais quanto as dificuldades.
Quando um filho chega, tudo se transforma. O mundo por dentro. O mundo em volta... Os dias cada vez mais curtos e a cabeça cada vez mais ocupada. Mas também o céu mais azul, as flores mais coloridas e a primavera eterna! Com algumas tempestades passageiras, é verdade... Mas com felicidade constante.
Saber-me mãe é saber-me viva, vivente, importante, responsável (apesar das falhas).
Desejo sempre ser tua: mãe, amiga e até filha, se for preciso para que nos tenhamos uma a outra sempre.

MINHA IRA


É da chuva que observas que vem a beleza de ti.
Teus olhos, teu olhar, tua interrogação inteira!
Mínima flor, singela fortaleza do meu amor...
Teu imenso mar de abraços e beijos é bem maior do que posso ver.
Desejo sempre, então, mergulhar em tua ingênua profundeza
Em teu ofuscante cintilar.
E ser absorvida.
E quando acaso queiras planar pretendo te guiar
Até onde meu olhar alcançar para que tenhas ótimos vôos
Menos (ou mais, não sei) rasante que os demais
E sejas muito mais do que quiser ser.

domingo, 8 de novembro de 2009

Só por agora

Viver não faz sentido.

A vida não tem sentido.

É apenas uma sucessão de sonhos e desejos.
Uns se concretizam...
Outros não.

Então seguimos perseguindo a realização
Como girassóis em busca de um sol.

Quero, então, uma SUPER NOVA pra mim!
Pra viver como se não houvesse amanhã
Pra amar como se só restasse esse dia
E assim matar minha rotina

Pois nada do que sou ou do que penso
Dura mais que o segundo seguinte.

Exceto a angústia da pergunta sem sentido
Do sentido sem resposta
E da resposta inexistente.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FALSO ESPELHO

Acaso pareço o quê?

Não me reconheço em nada do que vejo...

Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...

No avesso do espelho vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado
Em si mesmo (o que pior)

As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sou pessoa que quer se calar. Entretanto grito por tudo que posso gritar. Pelos cabelos ao vento. Pelos olhos lavados. Pela boca que beija a si mesma e só. Pelos braços e pernas ao se debaterem em seu frenesi impetuoso e inconstante.

Mas quando tudo isso não basta corro às palavras, que também correm de mim. Principalmente aquelas rebuscadas. Sobra-me o comum, como eu.

Queria profundamente que elas se transformassem em pedaços, partes de mim, que dissessem-se através de minhas células todas.

Porém quando elas se chegam e me invadem não consigo prosseguir.

Entorpeço-me.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ONIPRESENÇA

No olhar que me absorve
Procuro-me
Tdo posso ver
Menos a mim.
Em todo tato de toda pela
A pele inteira faz-me sentir:
Que de carne sou e da carne vim
E na carne viva desejo...
A mim.
Porque não me tenho
Preciso de alguém que o faça bem.
Em todas as horas.
Em qualquer lugar.