sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Discurso sobre o nada
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sobre cachinhos e sorrisos
Não será pelo sangue?
Não será por todo o leite jorrado?
Não será pelas intermináveis noites não dormidas?
Não será por todos os curativos?
Não será pelas broncas com e sem motivo aparente?
Não será pelas histórias sem fim inventadas?
Não será por toda roupa lavada?
Não será por todo lanchinho preparado?
Deve ser porque ela sente (não sabe) que poderá sempre contar comigo.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
soMENTEso
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Meu corpo
Ele arde. Ele queima. Derrete meus pensamentos e ideais. Transforma-os numa liga qualquer. Quando passar – se é que vai passar – moldá-lo-ei à imagem de quê?
Não queria tanta dor, entretanto assumo sua necessidade no tocante à elevação do espírito, ainda que à força. Aí consiste sua importância.
O único lugar no qual eu sou sempre.
Nunca estarei em exílio nem sozinho enquanto nele estiver.
Com (ou sem) dor.
Com (ou sem)alegrias.
Com (ou sem) companhia.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
SoloAmente
Uma estrela há anos luz.
O orvalho de uma manhã qualquer.
Um sol...
A guiar, onipotente e solitário, vidas
Sabendo que virão e irão
(E um dia ele também)
Mas sem saber porque.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
REFLEXÕES SOBRE MEU TEATRO
Minha trajetória no teatro se iniciou aos seis meses de idade quando minha mãe (atriz) e meu pai (músico) me colocaram junto com eles em cena.
Desde sempre a arte faz parte de mim. Meus pais sempre me introduziam neste multicolorido universo. Teoria musical, balé, piano, tambor de crioula, canto, bumba meu boi, violão... Cresci vendo e ouvindo muito. Tudo. Mas também cresci achando que não sabia de fato fazer nada daquilo... Porém sempre experimentando e tentando.
No momento de escolher a profissão pensei em tudo: letras (pela intimidade com o inglês que também aprendi desde cedo), Medicina, Biologia, Educação Física... Na tentativa de conhecer o corpo pensei em várias coisas. Mas sempre terminava por me sentir incapaz de conseguir.
Acabei optando por fazer vestibular para Teatro mesmo, pois a esta altura já trabalhava com Dança e com Circo. Sentia uma espécie de ojeriza ao teatro, que se fundamentava no fato de eu não saber fazer aquilo e ter medo de aprender. Nos semestres letivos acabei dando preferência às cadeiras mais gerais, menos específicas da área, no intuito de escapar de alguma forma deste universo sombrio e incógnito que o teatro significava para mim.
Continuava no curso, apesar do muro de pedra que construíra ao meu redor a fim de me manter distante do meu objeto de tortura. Como se estava nele totalmente inserida? A cada dia em que eu conhecia um pouco mais meu algoz, mais eu me interessava por ele, ainda que fingisse (para mim mesma) hesitar.
Eu via as pessoas fazendo um teatro que eu não gostava de ver e me entediava. Até o dia em que eu vi um teatro que eu não gostei de ver, mas diferente... Ele mexia comigo, revolvia minhas entranhas, me incomodava... Muito. Sentia-me invadida ao assisti-lo, e como não era de invadir a mim mesma, ou seja, não me conhecia porque não buscava a mim, ele me importunava deveras. Eu não gostava, não porque ele me entediava. Eu não gostava porque ele causava revoluções e mim, maiores do que eu podia suportar. Ele me defrontava com um monstro que eu não estava preparada para derrotar: eu mesma.
Então chegou o dia de adentrar no mundo deste fazer. E fiz. Faço. Estou fazendo.
Sigo na busca de mim e da minha forma de fazer teatro. Porque como Grotowski, acredito que: “a arte não é estado da alma ou do homem... é evolução”.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
FALSO ESPELHO
Acaso pareço o quê?
Não me reconheço em nada do que vejo...
Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...
No avesso do espelho, vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado em si mesmo
As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
FiLhOs...
Uma revolução a qual não sabemos, às vezes, se iremos sobreviver. Alegrias tão monumentais quanto as dificuldades.
Quando um filho chega, tudo se transforma. O mundo por dentro. O mundo em volta... Os dias cada vez mais curtos e a cabeça cada vez mais ocupada. Mas também o céu mais azul, as flores mais coloridas e a primavera eterna! Com algumas tempestades passageiras, é verdade... Mas com felicidade constante.
Saber-me mãe é saber-me viva, vivente, importante, responsável (apesar das falhas).
Desejo sempre ser tua: mãe, amiga e até filha, se for preciso para que nos tenhamos uma a outra sempre.
MINHA IRA
É da chuva que observas que vem a beleza de ti.
Teus olhos, teu olhar, tua interrogação inteira!
Mínima flor, singela fortaleza do meu amor...
Teu imenso mar de abraços e beijos é bem maior do que posso ver.
Desejo sempre, então, mergulhar em tua ingênua profundeza
Em teu ofuscante cintilar.
E ser absorvida.
E quando acaso queiras planar pretendo te guiar
Até onde meu olhar alcançar para que tenhas ótimos vôos
Menos (ou mais, não sei) rasante que os demais
E sejas muito mais do que quiser ser.
domingo, 8 de novembro de 2009
Só por agora
A vida não tem sentido.
É apenas uma sucessão de sonhos e desejos.
Uns se concretizam...
Outros não.
Então seguimos perseguindo a realização
Como girassóis em busca de um sol.
Quero, então, uma SUPER NOVA pra mim!
Pra viver como se não houvesse amanhã
Pra amar como se só restasse esse dia
E assim matar minha rotina
Pois nada do que sou ou do que penso
Dura mais que o segundo seguinte.
Exceto a angústia da pergunta sem sentido
Do sentido sem resposta
E da resposta inexistente.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
FALSO ESPELHO
Não me reconheço em nada do que vejo...
Não vejo nada
Tudo a minha frente é nevoeiro
Névoa escura transparente...
No avesso do espelho vago
Feito alma enclausurada
Como espírito algemado
Em si mesmo (o que pior)
As sombras tentam me libertar mas...
Se perdem em meio a minha escuridão.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Mas quando tudo isso não basta corro às palavras, que também correm de mim. Principalmente aquelas rebuscadas. Sobra-me o comum, como eu.
Queria profundamente que elas se transformassem em pedaços, partes de mim, que dissessem-se através de minhas células todas.
Porém quando elas se chegam e me invadem não consigo prosseguir.
Entorpeço-me.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
ONIPRESENÇA
Procuro-me
Tdo posso ver
Menos a mim.
Em todo tato de toda pela
A pele inteira faz-me sentir:
Que de carne sou e da carne vim
E na carne viva desejo...
A mim.
Porque não me tenho
Preciso de alguém que o faça bem.
Em todas as horas.
Em qualquer lugar.
Minhas férias...
Termina hoje, que pena! Voltar à rotina não é algo tão interessante para um artista quando se deixa para trás dias repletos de arte por todos os poros! Já que o artista vive na eterna possibilidade que a vida tem, voltar para a minha rotina, especificamente, não tem nada de tããããão interessante.
Artista? Hoje me considero. Sem falsa modéstia. Não digo que sou tão boa assim... E há muitos melhores do que eu... Mas sou eu e tenho algo a dizer ao mundo. Muitos “algos”. E enquanto eu sentir e pensar o mundo, serei.
Vivi intensamente este período, repleto de amores verdadeiros (amigos de muuuuuuitas horas...) Sinto-me honrada e feliz por isso! As lembranças ficarão “gravadas em meu corpo feito tatuagem que é pra me dar coragem pra seguir viagem quando a noite vier...”
Obrigada! A tudo e a todos que estiveram presentes em minha caminhada e com quem pude aprender a viver um pouco mais!
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Não existência
Ela dobrou de tamanho em segundos. Diante dele parecia insandecida. Ambos estavam.
Os gritos ensurdecedores nasceram dele pelo álcool e dela pela raiva contida de muitos anos. De repente a culpa é dele mesmo...
Aos sete ela conheceu o que só os adultos fazem. Ele mostrou a ela. Ele e seu irmão. Mas o irmão, diferente dele, se tornou pessoa de bem e expiou seu pecado. Ele permanece no inferno.
Ela não foi violentada. Foi aliciada, seduzida, impelida. Não por força, mas por...astúcia. Argumentos que a excitavam: saber, conhecer o mundo proibido. De repente a culpa é dela mesmo.
Anos a fio e ninguém nunca soube...
Agora, além de tudo, ele continua sem decência. Ela deseja sua eterna ausência. Cansada de aceitar a convivência pacífica, se encheu da força que nunca teve e enfrentou-o quase com as próprias mãos...
Por um tris alguma vida não foi por água abaixo...
Na noite silenciosa ecoavam seus gritos. Dos dois. A cada nova afirmação crescia de um lado o ódio pela falta de respeito do outro e do outro o medo das conseqüências práticas dos atos de um.
Vi o passado ante meus olhos e por um instante pensei que não veria mais futuro algum. Mas ao controlar a raiva e o medo expulsei-o de uma vez. Espero que por todas. Ainda que parte do meu sangue corra nele também, ele não representa mais nada para mim. É coisa sem valor, inútil. Nada.
domingo, 1 de novembro de 2009
Prólogo...
Alguém que entrou em minha vida recentemente e repentinamente me abriu muitas portas na alma...
Uma refere-se à minha voz. Sempre escondida entre minhas paredes, de dentro e de fora.
Outra diz respeito às minhas palavras, mais escondidas que a própria voz.
A pessoa com seu terno e distante olhar me aproximou das coisas que amo... E de mim mesma... Por isso meu sorriso me ilumina...
Obrigada por ter passado (passado?) em minha vida...
